sábado, 10 de setembro de 2011

Parlamentares avaliam mobilização contra a corrupção.



Parlamentares da base do governo e da oposição disseram hoje que a Marcha contra a Corrupção realizada  no dia 7 de Setembro, na Esplanada dos Ministérios, serve para que governo e Congresso Nacional analisem as mensagens que os participantes pretendem passar aos dois Poderes. Segundo a Polícia Militar do Distrito Federal, cerca de 25 mil pessoas participaram da manifestação, organizada espontaneamente por um dos instrumentos da rede social da internet, o Facebook. O líder do PSDB, Álvaro Dias (PR), disse que o evento "demonstrou a força das redes sociais" como instrumento de pressão da sociedade sobre a classe política.


"Há um clima de mudança [de postura] exigida pelas pessoas e creio que o Congresso está na contramão, como na preservação do voto secreto e no caso da cassação de mandato parlamentar", destacou Dias. Um dos fatores que desencadearam a mobilização espontânea foi a absolvição, pelo plenário da Câmara, da deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF). Ela é acusada de ter recebido propina de Durval Barbosa, operador do esquema de corrupção, no Distrito Federal, do governo de José Roberto Arruda, que ficou conhecido como mensalão do DEM. 
Álvaro Dias ressaltou o fato de os organizadores da marcha já estarem convocando, pela internet, manifestação semelhante para o dia 20 de setembro, na Cinelândia, Rio de Janeiro. O presidente do Democratas (DEM), senador José Agripino Maia (RN), destacou que é importante os manifestantes pressionarem os parlamentares a assinar o requerimento de instalação da comissão parlamentar mista de inquérito (CPMI) destinada a investigar atos de corrupção no governo federal.
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"Essa foi uma manifestação clara de amadurecimento político da sociedade. Tudo isso terá consequência se [as pessoas] forçarem os seus parlamentares a assinar a CPI. Essa é a consequência concreta". O deputado e membro da direção nacional do PT, Ricado Berzoni (SP), considera que o fim do voto secreto dos deputados e senadores, nos casos de processos de cassação de mandato, por si só, não resolve o problema da impunidade. 
Segundo ele, boa parte da solução desse problema, que levou às ruas de Brasília cerca de 25 mil pessoas, está na aprovação da reforma política. Berzoini citou como exemplo a necessidade de se instituir o financiamento público de campanha para dar ao deputado e ao senador mais autonomia no seu mandato parlamentar. 
"É preciso lembrar que existem os corruptos e os corruptores. Na maioria das vezes, as imagens ficam somente restritas a ação dos corruptos e não chegam àqueles que financiaram as campanhas". O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), ressaltou que a manifestação popular "é importante" para que o governo e o PT se debrucem [sobre o tema] e discutam".
Ele destacou que a presidenta Dilma Rousseff tem tomado providências para combater a corrupção. No caso do Congresso, Costa disse que é necessário acabar com "culturas fisiológicas e assistencialistas que abrem caminho para a corrupção". Por isso, ele defendeu o fim do voto secreto para cassação de mandato parlamentar . "É uma boa medida o fim do voto secreto, principalmente para os casos de cassação. 
Por outro lado, é necessário analisar que, muitas vezes, o voto secreto protege o parlamentar quando ele quer se sintonizar com o que espera a população, mas sofre pressões em sentido contrário por parte de suas lideranças partidárias", ponderou o líder petista. 
O deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que convive com a cúpula de seu partido, disse que o Parlamento "não é favorável à corrupção". Segundo ele, a passeata de ontem não protestou contra "nenhum fato concreto", quesito necessário para que se possa analisar as reivindicações de parcela da população. 
"Toda manifestação deve ter um objetivo político, coisa que não teve. Nesse caso, só posso aplaudir. O que a sociedade quer? Se for o combate à corrupção, instituições como o Ministério Público, a Controladoria-Geral da União e demais órgãos fiscalizadores estão aí, em pleno funcionamento", acrescentou o peemedebista.

Extraído da Agência Brasil 
Por Jornalismo Coragem

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